10 de dezembro de 2004

Sobre a paronóia

Não tenho certeza quanto termo, mas é aquilo que popularmente se chama de paranóia. No começo eu sofria tanto, e continuo sofrendo só que agora sei que é em vão e tento assim desdenhar. Não é simplemente paranóia, é uma faculdade mental. Um exemplo, fecha-se uma porta. Que fazem ali dentro? Estão brigando, trepando, falam sobre mim? Ao fechar a porta abre-se uma infinitades de alternativas, todas possiveis já que a verdade única não esta exposta. Porém existe um momento, que embora raro, compensa as conspirações a toa. É quando o mosaico de fragmentos de mínimos observações, essa sensibilidade toda que incomoda no cotidiano, essa imaginação tão exorbitante que geralmente não serve, trabalha e aponta não só mais uma suposição, mas o real, o que houve fato, e por mais que esse fato nos foda, surge nesse momento um certo prazerzinho, puramente intelectual, que nos tira uma ou duas lágrimas.


Jorge não dava bola pra nada e viveu assim por um tempo. Então um dia se deu conta.
Jorge sofre a toa pode parecer, mas ele é apenas detalhista e perfeicionista, e paga o preço. Não só aprende com os erros, como os aumentam a ponto de ver o que ninguem repararia, e balança a cabeça inconformado. Se escuta um comentário a distância, envergonha-se. São pessoas rindo dele, tem quase certeza, se arrepende a morte por algo qualquer e nunca perdoara todos os envolvidos, inclusive ele próprio. Vingativo, como não poderia deixar de ser, ele deseja só compartilhar a visão horrorenda do fato, e dizer ao fim, "viu?".
Se ele sofre uma estupidez ele tem vergonha do estúpido e jamais se perdoará.

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