23 de junho de 2004

Nova York. 1977. Um quarto de hotel vagabundo. Garrafas e seringas espalhadas pelo chão imundo. Cheiro de vômito. Sangue espirrado pelas paredes. Sobre um sofá estampado com
uma imitação de pele de leopardo, uma garota seminua, envolta em plumas e coberta de
maquiagem barata adormece enquanto um rapaz esguio, vestindo um jeans surrado e com uma aparência de ressaca entorna o último gole de uísque barato. Ele então enrola um baseado de haxixe. O barulho do trânsito e uma discussão entre prostitutas e policiais vindos da rua acordam a jovem. Ela acende um cigarro. O odor exalado pelo cigarro mistura-se ao do baseado. Alguém bate na porta. Esse alguém tem uma arma. Ele atira no peito do rapaz, que cai no chão e o sangue jorra por todos os lados. O homem com a arma aparenta uns trinta e três anos, veste uma camiseta da CBGB e exibe em seu antebraço a tatuagem de uma garota em trajes de marinheira com os dizeres "bon voyage". A garota e o homem se encaram. Subitamente, ela puxa um canivete de seu coturno e ataca o sujeito, que se esquiva e lhe acerta um murro na cara. O nariz da garota sangra. O homem aponta-lhe a arma no meio da testa e dispara. Ele pega o baseado, ainda aceso, e dá uma tragada forte. O barulho de tiros dá lugar ao som de alguma banda de glam rock que ensaia no apartamento de cima. Eles usam maquiagem e se vestem com trajes femininos. Eles vão ser um sucesso. Ao menos, foi o que um tal de Malcom McLaren lhes havia dito.

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