8 de abril de 2004

CHÃO DE ESTRELAS
(Orestes Barbosa / Sílvio Caldas)
Minha vida
Era um palco iluminado
E eu vivia vestido de doirado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Eu vivia cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão
Lá no morro do salgueiro
Tinha o cantar alegre
De um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje quando do sol a claridade
Forra o meu coração
Sinto saudade
Da mulher
Pomba rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda qual bandeiras agitadas
Parecia um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
E a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisava nos astros distraída
A mostrar que aventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão
É a cabrocha escorregando no sabão
É o gato miando no porão

Nenhum comentário: